2025 · Les Ruches, Marseille · a T.L., Rocinha, Rio de Janeiro · 2025
la galerie des ruches · rencontres la t.l
meados de 20251o de outubro de 2025
Em Les Ruches, as crianças fotografam, desenham e gravam o bairro com as artistas Maymouna Baradji e Myriam Rabah-Konaté, e depois encontram, pelas imagens, as crianças da T.L., no alto da Rocinha, no Rio.
com o centre social La Maurelle, Fotogracria, Maymouna Baradji e Myriam Rabah-Konaté







les ruches, 2025
“Les Ruches é um lugar de convivência. No bairro todo mundo se conhece. É agitado e gostoso.”
O texto diz do que elas gostam, das casas, dos brinquedos, das árvores “porque servem para respirar”, de descer para se encontrar e se divertir, e do que elas queriam: renovar as plantações, um campo de futebol, brinquedos, uma piscina, e até uma cama elástica.
Com Maymouna Baradji e Myriam Rabah-Konaté, elas pensaram o seu território e a sua memória pelo desenho, pela fotografia e pelo som. Este primeiro encontro prepara um projeto maior sobre a memória do bairro com as duas artistas.
Do texto escrito pelas crianças para a exposição, traduzido do francês.
pousar em Les Ruches ↘Há oito anos a gente se mudou para Les Ruches, mas eu não lembro. Era pequeno demais.
fotografia analógicadois bairros que se respondem
As imagens delas conversam com as das crianças da T.L., a Terra da Lama, no alto da Rocinha, e com as de Fotogracria, fotógrafa nascida na rua 4, com quem a mOst fez “Os Crias da T.L.”: as acerolas divididas, o futebol descalço, o chuveirão da Paula Brito num dia de calor.
pousar em Les Ruches ↘No bairro, uma bola e a Argélia. Sempre.
fotografia analógica
pousar na Rocinha ↘O JG é jogador. O Biel é jogador. Nós é cria da Rocinha.
fotografia analógica
pousar em Les Ruches ↘Samira em conexão com a Peachy, a cachorra do bairro.
fotografia analógica
pousar na Rocinha ↘Kauã Davi e seu fiel tomam um banho no chuveirão da Paula Brito em um dia calorento de verão.
fotografia analógica
pousar em Les Ruches ↘São as flores que nascem lá. A gente não sabe o nome delas.
fotografia analógica
pousar na Rocinha ↘A Rocinha é uma favela. É uma comunidade feita de pessoas e animais diferentes. As pessoas acham que a Rocinha é perigosa, mas a Rocinha é um lugar tranquilo.
fotografia analógica
pousar em Les Ruches ↘É a minha irmã, ela é muito fofa!
fotografia analógica
pousar na Rocinha ↘Eu gosto de comer acerola. Eu sou muito feliz assim. Como as outras pessoas da favela da Rocinha.
fotografia analógica
pousar em Les Ruches ↘Yliès e Fayze.
fotografia analógica
pousar na Rocinha ↘Gostamos de futebol porque é emocionante. É bem divertido pra nós e tamos felizes jogando. Temos esperança de ser jogador. Na favela tem muitas crianças que jogam bola e que querem ser jogador. Isso é a realidade da favela, jogando descalço.
fotografia analógica
pousar em Les Ruches ↘“Eu queria que não houvesse mais lixo, que arrumassem um campo para a gente, que colocassem brinquedos no jardim.” “Eu queria que tirassem os patinetes elétricos, a sujeira e as moscas.” “Eu sonho que todo mundo fique negro para não ter mais racismo.” “Eu sonho com um parque, uma piscina e um escorregador.”
fotografia analógica
pousar na Rocinha ↘Crianças brincando em uma laje na Dionéia, no inverno. Em tupi, «kurumin» ou «kurumí» significa «menino» ou «criança». A autora acredita que o futuro começa com o respeito e ensinamento dos mais antigos às crianças.
fotografia analógicales ruches
a t.l






As crianças da T.L. comendo e dividindo acerolas.
fotografia analógica
Allan é um menino muito inteligente e persistente, cria da Rocinha. O sonho dele é ser um grande skatista. Naquele dia, ele tentava descer uma ladeira bem íngreme na Rua 4 e, depois de muitas tentativas, conseguiu.
fotografia analógica

A Rocinha vista da Macega.
fotografia analógica

o poema
Les Ruches me lembra os Bâtes.
Foi lá que eu cresci, mudei.
É uma parte da minha vida.
A do mini-eu, que vai sumindo aos poucos
Prédio após prédio
O prédio preto, os 22, os 24, as Roses
Tem o mesmo silêncio triste
Como que à espera
E de repente, como uma brisa que desperta: chegam as crianças.
As crianças que voltam da escola,
As crianças que voltam da praia,
Das compras,
Que acordam de um cochilo.
As crianças que foram chamar
E aí do silêncio às vozes por todo lado
Ao barulho das bolas
Que guardam os rastros do que foi e do que será
Um novo brilho, uma nova brisa que se infiltra
São as bicicletas, os patinetes e os skates
Que nas suas danças vão e vêm.
Na descida até o petit séminaire
No estacionamento
De repente, Les Ruches volta a viver
E as abelhas zumbem.
Les Ruches ça me rappelle les Bâtes.
C’est là où j’ai grandi, changé.
C’est une partie de ma vie.
Celle de mini-moi, qui disparaît petit à petit
Immeuble après l’autre
L’immeuble noir, les 22, les 24, les Roses
Il y a le même silence triste
Comme en attente
Puis d’un coup comme une brise qui s’éveille : il y a les enfants.
Les enfants qui rentrent de l’école,
Les enfants qui rentrent de la plage,
Des courses,
Qui se réveillent d’une sieste.
Les enfants qui sont allés appeler
Et puis du silence aux voix de toute part
Aux bruits des ballons
Qui gardent les traces de ce qui fût et ce qui sera
Un nouvel éclat, une nouvelle brise qui se faufile
Ce sont les vélos, les trottinettes et skates
Qui dans leurs danses font des va-et-vient.
Dans la descente jusqu’au petit séminaire
Sur le parking
Soudainement, les Ruches reprennent vie
Et les abeilles bourdonnent.
O poema da exposição, de Maymouna Baradji, traduzido do francês.
desenhar no vidro
Com Maymouna Baradji, mosaicista, a gente desenha o bairro em placas transparentes: retratos, paisagens, arquiteturas. Suspensas na exposição, as placas deixam a luz passar e se sobrepõem, como as camadas de um mapa.
a exposição
Em 1o de outubro de 2025, no centre social La Maurelle: quinze painéis em que as imagens de Les Ruches e da T.L. se respondem, com os títulos e as palavras das crianças, em francês ou em português, e os desenhos sobre acrílico suspensos.
pousar aqui, em 3D ↘a montagem
as vozes
As vozes gravadas com Myriam Rabah-Konaté: a exploração de Les Ruches, os sonhos das crianças, Samira, a jornalista, e o dia em que o Petit Séminaire desapareceu.
ficha do projeto
la galerie des ruches · rencontres la t.l
Em Les Ruches, as crianças fotografam, desenham e gravam o bairro com as artistas Maymouna Baradji e Myriam Rabah-Konaté, e depois encontram, pelas imagens, as crianças da T.L., no alto da Rocinha, no Rio.
- quando
- 2025
- onde
- Les Ruches, Marseille · a T.L., Rocinha, Rio de Janeiro
- parceiros
- centre social La Maurelle, Fotogracria
- artistas convidadas
- Maymouna Baradji, Myriam Rabah-Konaté
- linguagens
- fotografia, desenho sobre acrílico, sons, olhares cruzados
- devolutiva
- “la galerie des ruches · rencontres avec rocinha et la t.l”, exposta em 1o de outubro de 2025 no centre social La Maurelle: quinze painéis e desenhos sobre acrílico suspensos, que cruzam as imagens de Les Ruches e da T.L.
- créditos
- Fotografias: as crianças de Les Ruches e da T.L., Fotogracria e a equipe da mOst. Desenhos, mapas e sons: as crianças de Les Ruches com Maymouna Baradji e Myriam Rabah-Konaté.
próximo projeto · 2023
la cité aux fleurs →













































